Índios de Minas Gerais provocavam fogo usando duas pedras de sílex, uma rocha sedimentar silicatada, apropriadamente chamada de silex pirômico.
Acredita-se que o uso da percussão pelos índios brasileiros para produzir fogo tenha sido aprendido dos europeus . Isto é em parte corroborado pelo texto acima de Jean de Léry onde há a informação de que os índios por ele contatados não usavam o fuzil, também conhecido como pederneira, que nada mais é do que o sílex pirômico, ou seja, a pedra de fazer fogo. Contudo, outras tribos das Américas já empregavam este processo muito antes da chegada dos europeus.
Os Algonquin ou Algonquinos dos Estados Unidos e os Athapascan do Alasca usavam duas pedras de pirita para produzir fogo. Os Esquimó também usavam duas pedras de pirita, dirigindo a faísca para dentro de uma bolsa de couro contendo musgo seco e esfarelado. Quando este incendiava, o fogo era transferido para local previamente preparado para recebê-lo.
Produzindo fogo por fricção ou atrito
Acendedor manual
Como descreveu acima Jean de Léry, um dos métodos dos
indígenas acenderem o fogo era com o acendedor manual, com o emprego de duas
madeiras. A que ficava apoiada no chão recebia o nome de base e a que
girava era a haste.
Com as mãos abertas, provocava-se um movimento rotatório na haste. Esta removia
moinha da base que caia sobre a mecha, ou seja, folhas ou musgo seco ou
algodão. Após algum esforço surgia a fagulha na moinha, que pegava fogo,
incendiando a mecha. Os Kaingang do Mato Grosso do Sul e Argentina e
os Apopocuva-Guarani de São Paulo retiravam a ponta da flecha e
colocavam no lugar uma madeira dura, tendo assim uma haste, que era friccionada
em outra mole, produzindo fogo.
Os Xavante, os Caiapó e os Angarité de Goiás,
os Yanomâmi do Amazonas e a maioria das tribos sul-americanas faziam
fogo com o acendedor manual , assim como os Huron, os Iroquoi e
outras tribos norte-americanas .
Os Yanomâmi de Roraima faziam fogo utilizando o
acendedor manual feito de madeira de cacaueiro. Uma haste com diâmetro
equivalente ao de um lápis e com o comprimento de meio metro era
atritada em uma pequena cavidade feita na base. Esta apresentava o comprimento
de um palmo e a largura de cerca de três centímentros.
Os Yahi da Califórnia usavam para a base alguma
madeira mole como salgueiro ou cedro e a haste era de
qualquer madeira dura. Na proximidade da borda da base eram feitos furos de 5 a
6 milímetros de profundidade, que eram ligados a ela por finos canais. Os
Luiseño, Yana, Maidu, Miwok, Yurok e outras tribos da Califórnia usavam
a mesma madeira para a haste e para a base .
A haste composta era usada por algumas tribos
norte-americanas, que faziam o corpo principal da haste de uma madeira e a
ponta de outra. Capim seco, casca de árvore, madeira apodrecida, agulhas
(folhas adultas) de pinheiros e alguns fungos eram usados como mecha. O
Acendedor manual, quando não em uso, era mantido embrulhado para que pegasse
umidade. Além de ser usado para produzir fogo, o acendedor manual tinha outras
utilidades. Era usado para fazer furos pelos Esquimó, para trabalhar madeira pelos Haida do Canadá e,
com ajuda de areia, para furar pedras por algumas tribos amazônicas. Oito
segundos era o tempo que, em condições ideais, os Apache demoravam para
fazer fogo. Algumas vezes eles mergulhava a ponta da haste na areia antes de
usá-la.
Acendedor de boca
Os Esquimó utilizavam para fazer fogo o acendedor
de boca, assim chamado porque a parte superior da haste era apoiada na boca. O
movimento de rotação era dado por uma tira que dava uma volta em torno da haste
e era puxada de um lado para outro pelas mãos. Algumas tribos amarravam as
pontas da tira em um arco e o movimentavam de um lado para o outro, provocando
a rotação, como no acendedor de arco.
Acendedor de quatro mão
Algumas tribos de Esquimó usavam o acendedor de
quatro mãos, cujo nome deriva do fato de que eram necessárias duas pessoas para
fazê-lo funcionar. Uma pessoa pressionava a haste sobre a base e a outra movia
uma correia que, por dar uma volta em torno da haste, provocava o movimento de
rotação.
Acendedor de arco
Algumas tribos norte-americanas produziam o fogo com o
acendedor de arco, composto por quatro partes: a base, a haste, o arco e o
suporte. A base e a haste eram similares às do acendedor de mão; o arco era uma
peça curva de madeira, marfim ou osso com um cordão de fibra animal ou vegetal
amarrado em uma das extremidades que dava uma volta na haste e era amarrado na
outra extremidade do arco. O suporte era uma pequena peça de madeira, osso ou
pedra com uma cavidade em uma das faces, por onde se encaixava na haste.
Apoiada no suporte, a mão esquerda pressionava a haste sobre uma cavidade da
base e com a direita movimentava-se o arco para frente e para trás, provocando
na haste um movimento rotativo alternado. O fogo era produzido com maior
facilidade do que com o acendedor de mão.
O acendedor de arco já era usado entre o quinto e o quarto milênio antes
de Cristo no Paquistão. Servia para produzir fogo, como
também para fazer furos em materiais e como instrumento odontológico.
Acendedor de bombeamento
Dos acendedores, o mais avançado era o de bombeamento. A
haste era bem mais comprida do que os outros acendedores e próximo à ponta que
entrava em contado com a base havia um peso, geralmente em forma de rodela, que
imprimia força ao movimento de rotação. A haste era enfiada no furo no
centro de um pedaço de madeira em forma de tábua ou roliça.
Um cordão era preso na parte superior da haste, enrolado nela, e cada
ponta era fixada em uma das extremidades da tábua. Com uma mão na parte
superior da haste mantendo-a na vertical, a outra mão pressionava para baixo a
tábua, provocando a rotação da haste, cuja ponta girava sobre a base
provocando o atrito. Dependendo do tipo de ponta, a ação fazia a furação ou
provocava o aquecimento, produzindo calor que gerava o fogo. Quando a tábua chegava
ao seu limite inferior e o cordão estivesse totalmente desenrolado,
bastava parar de exercer pressão para que o movimento de inércia fizesse
a haste continuar em rotação e o cordão se enrolasse nela, puxando a tábua para
cima. Para continuar era só pressionar novamente a tábua para baixo.
Embora a maioria das etnias norte-americanas
utilizasse o acendedor de bombeamento apenas para fazer furos, os Iroquois dos USA e Canadá empregavam-no
também para produzir fogo.
Acendedor de peito
Indígenas venezuelanos faziam fogo de uma maneira sui
generis utilizando um acendedor de peito. Pegavam uma haste flexível e
apoiavam uma extremidade dela em um protetor encostado no peito e a
outra extremidade em um pequeno orifício de uma base apoiada em alguma estrutura vertical.
Com o peito pressionavam a haste que se encurvava formando um arco e
com a mão a girava produzindo fogo.
Fonte: Wikipédia







Nenhum comentário:
Postar um comentário