sábado, 2 de maio de 2015

Métodos de Fogo Primitivo

Produzindo fogo por percussão de duas pedras

Índios de Minas Gerais provocavam fogo usando duas pedras de sílex, uma rocha sedimentar silicatada, apropriadamente chamada de silex pirômico. 

Acredita-se que o uso da percussão pelos índios brasileiros para produzir fogo tenha sido aprendido dos europeus . Isto é em parte corroborado pelo texto acima de Jean de Léry onde há a informação de que os índios por ele contatados não usavam o fuzil, também conhecido como pederneira, que nada mais é do que o sílex pirômico, ou seja, a pedra de fazer fogo. Contudo, outras tribos das Américas já empregavam este processo muito antes da chegada dos europeus. 

Os Algonquin ou Algonquinos dos Estados Unidos e os Athapascan do Alasca usavam duas pedras de pirita para produzir fogo. Os Esquimó também usavam duas pedras de pirita, dirigindo a faísca para dentro de uma bolsa de couro contendo musgo seco e esfarelado. Quando este incendiava, o fogo era transferido para local previamente preparado para recebê-lo.

Produzindo fogo por fricção ou atrito

Acendedor manual

Como descreveu acima Jean de Léry, um dos métodos dos indígenas acenderem o fogo era com o acendedor manual, com o emprego de duas madeiras. A que ficava apoiada no chão recebia o nome de base e a que girava era a haste.


Com as mãos abertas, provocava-se um movimento rotatório na haste. Esta removia moinha da base que caia sobre a mecha, ou seja, folhas ou musgo seco ou algodão. Após algum esforço surgia a fagulha na moinha, que pegava fogo, incendiando a mecha. Os Kaingang do Mato Grosso do Sul e Argentina e os Apopocuva-Guarani de São Paulo retiravam a ponta da flecha e colocavam no lugar uma madeira dura, tendo assim uma haste, que era friccionada em outra mole, produzindo fogo.

Os Xavante, os Caiapó e os Angarité de Goiás, os Yanomâmi do Amazonas e a maioria das tribos sul-americanas faziam fogo com o acendedor manual , assim como os Huron, os Iroquoi e outras tribos norte-americanas .

Os Yanomâmi de Roraima faziam fogo utilizando o acendedor manual feito de madeira de cacaueiro. Uma haste com diâmetro equivalente ao de um lápis e com o comprimento de meio metro era atritada em uma pequena cavidade feita na base. Esta apresentava o comprimento de um palmo e a largura de cerca de três centímentros.

Os Yahi da Califórnia usavam para a base alguma madeira mole como salgueiro ou cedro e a haste era de qualquer madeira dura. Na proximidade da borda da base eram feitos furos de 5 a 6 milímetros de profundidade, que eram ligados a ela por finos canais. Os Luiseño, Yana, Maidu, Miwok, Yurok e outras tribos da Califórnia usavam a mesma madeira para a haste e para a base .

A haste composta era usada por algumas tribos norte-americanas, que faziam o corpo principal da haste de uma madeira e a ponta de outra. Capim seco, casca de árvore, madeira apodrecida, agulhas (folhas adultas) de pinheiros e alguns fungos eram usados como mecha. O Acendedor manual, quando não em uso, era mantido embrulhado para que pegasse umidade. Além de ser usado para produzir fogo, o acendedor manual tinha outras utilidades. Era usado para fazer furos pelos Esquimó, para trabalhar madeira pelos Haida do Canadá e, com ajuda de areia, para furar pedras por algumas tribos amazônicas. Oito segundos era o tempo que, em condições ideais, os Apache demoravam para fazer fogo. Algumas vezes eles mergulhava a ponta da haste na areia antes de usá-la.

Acendedor de boca

Os Esquimó utilizavam para fazer fogo o acendedor de boca, assim chamado porque a parte superior da haste era apoiada na boca. O movimento de rotação era dado por uma tira que dava uma volta em torno da haste e era puxada de um lado para outro pelas mãos. Algumas tribos amarravam as pontas da tira em um arco e o movimentavam de um lado para o outro, provocando a rotação, como no acendedor de arco.








Acendedor de quatro mão

Algumas tribos de Esquimó usavam o acendedor de quatro mãos, cujo nome deriva do fato de que eram necessárias duas pessoas para fazê-lo funcionar. Uma pessoa pressionava a haste sobre a base e a outra movia uma correia que, por dar uma volta em torno da haste, provocava o movimento de rotação.





Acendedor de arco

Algumas tribos norte-americanas produziam o fogo com o acendedor de arco, composto por quatro partes: a base, a haste, o arco e o suporte. A base e a haste eram similares às do acendedor de mão; o arco era uma peça curva de madeira, marfim ou osso com um cordão de fibra animal ou vegetal amarrado em uma das extremidades que dava uma volta na haste e era amarrado na outra extremidade do arco. O suporte era uma pequena peça de madeira, osso ou pedra com uma cavidade em uma das faces, por onde se encaixava na haste. Apoiada no suporte, a mão esquerda pressionava a haste sobre uma cavidade da base e com a direita movimentava-se o arco para frente e para trás, provocando na haste um movimento rotativo alternado. O fogo era produzido com maior facilidade do que com o acendedor de mão.

O acendedor de arco já era usado entre o quinto e o quarto milênio antes de Cristo no Paquistão. Servia para produzir fogo, como também para fazer furos em materiais e como instrumento odontológico.

Acendedor de bombeamento

Dos acendedores, o mais avançado era o de bombeamento. A haste era bem mais comprida do que os outros acendedores e próximo à ponta que entrava em contado com a base havia um peso, geralmente em forma de rodela, que imprimia força ao movimento de rotação. A haste era enfiada no furo no centro de um pedaço de madeira em forma de tábua ou roliça. Um cordão era preso na parte superior da haste, enrolado nela, e cada ponta era fixada em uma das extremidades da tábua. Com uma mão na parte superior da haste mantendo-a na vertical, a outra mão pressionava para baixo a tábua, provocando a rotação da haste, cuja ponta girava sobre a base provocando o atrito. Dependendo do tipo de ponta, a ação fazia a furação ou provocava o aquecimento, produzindo calor que gerava o fogo. Quando a tábua chegava ao seu limite inferior e o cordão estivesse totalmente desenrolado, bastava parar de exercer pressão para que o movimento de inércia fizesse a haste continuar em rotação e o cordão se enrolasse nela, puxando a tábua para cima. Para continuar era só pressionar novamente a tábua para baixo.

Embora a maioria das etnias norte-americanas utilizasse o acendedor de bombeamento apenas para fazer furos, os Iroquois dos USA e Canadá empregavam-no também para produzir fogo.

Acendedor de peito

Indígenas venezuelanos faziam fogo de uma maneira sui generis utilizando um acendedor de peito. Pegavam uma haste flexível e apoiavam uma extremidade dela em um protetor encostado no peito e a outra extremidade em um pequeno orifício de uma base apoiada em alguma estrutura vertical. Com o peito pressionavam a haste que se encurvava formando um arco e com a mão a girava produzindo fogo.


Fonte: Wikipédia

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